quinta-feira, 5 de julho de 2012

A METAMORFOSE: KAFKA

De: Michel Gustavo de Almeida Silva


Essa obra-prima da literatura, escrita pelo célebre escritor tcheco Franz Kafka foi publicada pela primeira vez em 1915.
Conta a história de Gregor Samsa, um caixeiro viajante que, ao acordar certa amanhã, percebe que se transformou em um inseto horrível. A partir desse acontecimento, Gregor que não perdeu sua ''consciência'' passa a analisar as situações ao seu redor com mais atenção, a relembrar do seu passado e adota um ponto de vista diferente. Pena que já era tarde demais para ele.
Não se trata apenas de uma história de um homem que se transforma em inseto, mas, sobretudo um alerta à sociedade e aos comportamentos humanos oriundos da sociabilidade inerente ao sistema capitalista e a Modernidade.
Kafka com seu estilo rasgante de escrever e com sua literatura carregada de metáforas não deixa claro ''como'' e o ''por que'' o personagem central Gregor se transformou num inseto monstruoso. Nem deveria deixar, pois, a graça dessa obra-prima da literatura mundial consiste no seu roteiro inusitado e destituído da tradição e no que cada leitor pode criar a partir dessa ausência de informação proposital por parte do nosso autor.
Essa breve novela de 80 páginas começa com a transformação abrupta do personagem num inseto e termina com a morte deste, ainda, metamorfoseado em inseto.

É um texto perturbador, provocante e, passaria quase despercebido se esse não fosse um retrato fiel do homem contemporâneo. Homem esse aprisionado por um sistema burocrático, desumano que não possibilita condições favoráveis a liberdade, a integridade e a solidariedade humana; pautado na coisificação do ser humano e humanização das coisas.
 Kafka, como esse autor disse anteriormente, não deixa claro ao leitor o motivo de Gregor ter se transformado num inseto monstruoso, mas, no decorrer da sua novela, apesar de o local da história trágica ser a casa da família de Gregor, nos revela que o personagem, antes de se transformar num inseto, trabalhava excessivamente, não tinha tempo para se divertir, para fazer amor, praticar esportes com os amigos, não tinha a leveza necessária para se emocionar com o pôr-do-sol. Era um autômato, escravo da opinião pública, não era politizado e sacrificava a si próprio totalmente para sustentar uma família que, ao longo da novela, percebemos que tinha condições de trabalhar, ir à luta e tirar a sobrecarga de Gregor.

 O livro: A metamorfose, de Kafka é para se lido na entrelinhas. Trata-se de uma metáfora da Modernidade, período da história humana, inaugurado com o Cogito Cartesiano que idolatra a racionalidade humana, colocando-a como o fator humano mais confiável capaz de transformar o mundo num lugar familiar e a coexistência humana numa esfera mais agradável e suportável.
O que os crentes na noção de que a Razão humana seria a solução de todos os problemas não esperavam é que uma das metamorfoses desta seria a Razão Instrumental. A Razão que faz do homem um ser controlador, manipulador, calculista e, ainda, mais irracional.
O que vemos hoje com mais freqüência no nosso cotidiano?
O mundo contemporâneo exige demais do individuo, mas, não oferece quase nada. A ausência de afetividade e solidariedade tornou-se banal.  As relações humanas são todas monetárias, ainda, que seja lá no fundo.
Estamos num tempo miserável, perdidos com tanto conhecimento e desorientados por um verdadeiro bombardeio de informações que mais desinformam do que qualquer outra coisa. Uma sociedade fechada e arbitrária que subsiste estruturada num único discurso_ o do capitalismo, numa única ideologia_ a ideologia do domínio do homem pelo homem. O homem é apenas uma engrenagem desse sistema que não permite espaço, nem tempo para a existência singular, controla as emoções e os pensamentos de cada um de nós e só propicia condições para o nivelamento e a alienação das multiplicidades de intelectos humanos.  

Há muito que se extrair dessa obra, há diversos tipos de leitura.
Infelizmente a essência dela nos é muito familiar, ainda, que nossa inteligência esteja adormecida pelo discurso unilateral da ideologia dominante que subsiste para eternizar o ''statos quo'' .

Cabe ao leitor se perguntar ao término da leitura dessa obra magistral. Quanto a nossa vida real se diferencia do labirinto da obra de Kafka e o quanto cada um de nós tem de parecido com o Gregor, ou melhor, com a maneira que ele se relacionava com o mundo a sua volta e com as pessoas circundantes.

5 comentários:

Anônimo disse...

Achoo muito complicado esse negócio de filosofia nem os nomes desses filosofos eu sei falar direito, fui obrigada a ler esse livro ai q vc falou no terceiro colegial, meu grupo fez uma apresentação, até achei o livro engraçado,só q nem me passou pela cabeça isso q vc escreveu

gosto de ler não esses tipos de livro, tipo do padre gatinho Fabio de melo...isso é pra cdf
Ain mas adoru homem inteligente.

Admiro demais gente q escreve bem assim gostei de vc, a vc é um gato, lindo msm...
Bjokinhas...

Anônimo disse...

Comentário desnecessário esse ai !
Logo se vê o grau de cultura de um ser brasileiro um nível de cultura baixíssimo . No meu ponto de vista a transformar-se em um inseto foi uma forma de liberta-lo de toda pressão existente em sua vida , pois a personagem não vivia a vida pelo contrario era uma maquina , logo transforma-se em um inseto com o motivo de não ter mais suas obrigações como um humano!
Embora não tenha lido esse livro foi isso que sua interpretação me passou.

Anônimo disse...

comentário desnecessário uma pinóia seu invejoso de uma figa, eu li o livro, achei engraçado um homem transfornar em mosca, eu não gosto do livro e daí?
só que esse gato do blogger é lindo e escreve muito bem,agora eu sei o q o livro quis dizer e eu sou fã desse gatinho ce ele falar de qualquer coisa aqui eu assino embaixo, muito lindo esse gato e escreve bem... minha cultura é outra...

Anônimo disse...

Kafka is cult.

Pedro Wallace disse...

Ler Kafka é o mesmo que tomar um soco no estômago. Nos coloca diante da terrivel realidade da qual fazemos parte.